O que Amanda Lima aprendeu com o fracasso da sua primeira empresa?

Levantamento divulgado em meados de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que de cada dez empresas, seis fecham antes de completar cinco anos. Os dados se referem ao período entre 2009 e 2014 e revelam ainda que 22,7% das empresas fecharam as portas após o primeiro ano de atividade. Com Amanda Lima não foi diferente.

Formada em Administração de Empresas, a paulistana de 33 anos conta que já fez de tudo: vendeu cosmético porta a porta, plano de saúde, cursos de inglês e atuou no departamento comercial de grandes empresas. “Mas saí da última delas desequilibrada. A pressão era tão grande e desnecessária que adoeci. Fiquei depressiva por ver o tratamento dos funcionários dentro da empresa. O mundo corporativo é doente e faz com que as pessoas adoeçam, às vezes de forma irreversível”, pontua.

No final de 2012, ela então decidiu abrir uma loja de roupas no modelo colaborativo. “Mas fiz tudo errado. O ponto era ruim e enchi a loja de mercadoria. Naquela época ainda não se falava tanto em modelo colaborativo”, adianta.

Erros

Amanda conta que três fatores foram cruciais para o fracasso do seu negócio. O primeiro deles foi a escolha equivocada da sócia, que deveria responder por parte da operação, mas que desistiu da sociedade um mês após a abertura da loja. “Também não fiz um planejamento adequado, estudo necessário para abrir o negócio e o custo financeiro para sustentar o negócio até que ele pudesse se pagar. Mas o maior problema que tive era não saber o que queria realmente fazer”, continua.

Diante da decisão, que não foi fácil como ela lembra, de fechar a loja, a empreendedora então voltou para o mercado de trabalho, desta vez focando a atuação comercial em self storage – atividade caracterizada pela locação de unidades autônomas (box) para a auto gestão na guarda e organização de qualquer tipo de bem, como móveis, objetos, documentos, estoques, coleções, entre outros). “A minha dificuldade é fazer com que valorizem o meu trabalho. Ofereci uma consultoria por determinado valor, mas empresas de self storage não querem pagá-lo porque sou mulher. Homens que têm menos experiência e formação que eu conseguem empregos e remunerações melhores. E tenho convicção de que esta diferença não é por desempenho, porque eu mostro resultado e bato metas”, denuncia.

Nova tentativa

Por que, em uma época de tanto hedonismo, ostentação da felicidade e do sucesso, Amanda aceitaria contar seu fracasso como empreendedora? Porque são estes erros que fizeram com que ela somasse bagagem para investir em uma nova empresa, desta vez no setor 2.5, conhecido como negócio social. E também porque ela mesma observa e aprende muito com experiências frustradas de outros empreendedores. “Tinha uma ideia muito glamurosa do empreendedorismo, muito idealizada, do ‘vai lá e acontece’. Mas a realidade não é glamurosa. O empreendedor tem dificuldade com tributos, com legislação, em conseguir clientes, em mantê-lo. Antes de empreender, precisamos compreender as pedras que vamos encontrar no caminho.”

Inquieta, como ela mesmo se descreve, Amanda não se conforma com várias questões da sociedade em que vivemos. E desde 2014 ela está amadurecendo a estrutura do Protagonismo em 123, que tem como objetivo levar capacitação profissional aos jovens da periferia. “De uns anos para cá, os meus projetos caminham para dar visibilidade aos menos vistos”, finaliza ela, que, depois de tanto conhecimento empírico, certamente será destaque do Voa, Maria novamente em breve.

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About Camila Silva

Jornalista especialista em contar histórias de superação. Feminista, sonha em criar um mundo mais igualitário e justo para as mulheres por meio da informação. Além do Voa, Maria, está à frente da Maria Comunica, agência de comunicação pautada por resultados e relacionamento.