“Importar brinquedos rendeu 170% do valor do produto em taxas”, conta Katerina Halakova

Na República Tcheca (país do leste europeu com 10 milhões de habitantes), aos 15 anos os jovens têm permissão para trabalhar e é comum que o façam temporariamente durante o período de férias. Depois de algumas experiências no mercado de trabalho, Katerina Halakova percebeu ainda jovem que queria ser dona do próprio negócio. “Pensei que seria muito legal ter uma empresa e no final da faculdade abri uma loja virtual”, lembra.

Formada em economia, Katerina fez mestrado em relações internacionais em Londres, onde conheceu seu marido brasileiro. Diante da dificuldade de ele permanecer na Europa (ainda de brasileiros casados com europeus tenham o direito de viver legalmente no continente), o casal se estabeleceu em São Paulo. “Sabia que viria ao Brasil e pensei: ‘O que é que eu vou fazer?’”.

Ela então começou a estudar o mercado brasileiro, tanto que o tema do trabalho de conclusão de curso do mestrado foi sobre empreender em terras tupiniquins. Uma das coisas que ela sonhava era ajudar empresários tchecos a exportar para o País. Mas para entender as regras no mercado, ela precisava antes ter a sua própria empresa. Foi assim que nasceu a Kokino.

Vendedora de memórias

Kokino significa bala ou bombom em tcheco e é este sentimento de resgate à infância e às brincadeiras lúdicas e participativas que a empreendedora quer promover. “São brinquedos clássicos e educativos para crianças de seis meses a oito anos. Eles são feitos em madeira ou lata e estimulam o desenvolvimento infantil”, descreve Katerina.

Ela conta que a receptividade do público brasileiro aos brinquedos tchecos foi bastante calorosa, já que consumidores deixam mensagens positivas em comentários nos nas redes sociais. “Todos adoram os brinquedos, despertamos sorrisos. Os consumidores comentam que eram brinquedos que eles tinham na infância, mas hoje não encontram mais”.

Porém, Katerina afirma que alguns dos seus desafios para alcançar os consumidores vêm do principal canal de vendas, o e-commerce. “O público brasileiro ainda não tem tanto conforto de comprar pela internet. Temos de ficar persuadindo o cliente muito tempo até que ele compre os produtos”, revela ela, que teve de esperar um ano e meio até que a sua loja virtual ficasse pronta.

Como alternativas para aumentar as vendas, ela participa de feiras e também disponibilizou produtos na Casaquetem – loja física localizada na Vila Madalena. “Em feiras vendemos bastante.”

Importação

Katerina ressalta que empreender no Brasil e na República Tcheca é diferente, visto que os países são culturalmente distintos. Daqui, ela destaca a criatividade do povo brasileiro como uma das principais qualidades do País. No entanto, o processo de importar brinquedos não foi barato ou mesmo simples. “Quando dizia que ia importar para o Brasil, me diziam que eu estava louca, porque cada vez que alguém entra com produtos no Brasil é necessário ter a certificação do Inmetro. A primeira importação demorou sete meses para ser liberada e pagamos 170% do valor do produto em caixas, alfândega e outros custos”, continua.

Para lidar com a burocracia, Caterina contou com ajuda da sócia, que também a sua sogra e quem investiu o capital inicial para criar a Kokino. “Ela é uma ótima parceira, pois em todos os problemas de importação ela estava lá comigo. Sentia que precisava da companhia de uma adulta brasileira”, diverte-se ela, que tem 26 anos.

Consolidação do negócio 

Além das feiras e bazares, Katerina investe pesado no marketing digital e agora busca parcerias com mães e blogueiras para aumentar a visibilidade dos produtos.

E os sonhos? Ela quer ajudar a impulsionar empreendedores interessados no mercado brasileiro, a fim de gerar manter empregos aqui em manter as posições já criadas na República Tcheca. “Também quero crescer a ponto de me tornar referência, além de ser acessível para pessoas que hoje não podem ter os brinquedos”, finaliza.

 

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About Camila Silva

Jornalista especialista em contar histórias de superação. Feminista, sonha em criar um mundo mais igualitário e justo para as mulheres por meio da informação. Além do Voa, Maria, está à frente da Maria Comunica, agência de comunicação pautada por resultados e relacionamento.