Estrelas

Mariane Tichauer, da Itté: “Todo mundo fechava a porta na minha cara”

Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e uma análise do Sebrae, produtos e serviços para o público infantil movimentam R$ 50 bilhões ao ano no Brasil. Entre lembrancinhas, mamadeiras, produtos de higiene e brinquedos, o mercado nacional apresenta tudo o que é tipo de produto para gestantes, mamães e bebês. Ou quase tudo. Foi assim que o negócio de Mariane Tichauer, a Itté Importadora, nasceu.

Gaúcha de Porto Alegre, Mariane se mudou para São Paulo com a família ainda pequena. Formada em Administração de Empresas, ela sempre atuou no segmento de Telecomunicações, cuidando de projetos internacionais, e também em startups. “Chegou um momento na minha carreira em que eu não via sentido conquistar mais. Não queria subir. Tinha muita política envolvida para crescer como executiva e eu não gosto disso. Mas sou super grata às oportunidades que tive”, pontua.

A princípio, Mariane então investiu em ONG e empreendedorismo. Fez cursos, preparou dois planos de negócios e, quando eles estavam prontos, ela engravidou. “Então voltei a trabalhar na área de telecom, como consultora. “Até minha filha completar dois anos, ficava com ela em casa. Foi a melhor coisa que fiz. Trabalhava à noite, porque fazia negociações de contrato e, quando tinha treinamento, levava ela comigo”, lembra.

Oportunidade

Muitas oportunidades de negócio surgem a partir de necessidades ainda não atendidas pelo mercado. Durante conversa em um grupo de amigas, em 2008, Mariane percebeu que os produtos para bebês, geralmente, se resumiam em rosa e azul. “Se quiséssemos produtos diferentes, precisávamos comprar fora. Então decidimos trazer para o Brasil estes produtos, em vez de comprá-los no exterior. Na época eu tinha uma sócia, mas eu não gostava de varejo e ela, de atacado.”

Consolidar a empresa não foi simples. A empreendedora gaúcha radicada hoje em Valinhos, no interior de São Paulo, conta que ‘todo mundo fechava a porta na cara dela’. “Mas a empresa foi crescendo, de 10 para 30 clientes. Depois, investi em uma feira de exposição e passei a somar 120 clientes”, continua.

Desde 2011, a Itté apenas importa e distribui diferentes produtos para bebês e crianças, que têm como característica a inovação, funcionalidade e praticidade. Importar, no entanto não é tão simples quanto parece. Mariane relata que o dia em que seu primeiro lote chegou ao Porto de Santos, ela estava na maternidade para ganhar a terceira filha. “Passei a fazer atendimento, notas fiscais e entregas com a bebê no colo. Por isso, tive de aprender a delegar e terceirizei a logística.”

Obstáculos

Uma das primeiras dificuldades em começar o negócio foi a própria confiança. A empreendedora não sabia se ‘tinha todas as características necessárias para ser empreendedora’. “Mas temos de dar o primeiro passo e estarmos preparadas caso o negócio não dê certo. Todo mundo tem características necessárias para empreender. Há cursos muito bacanas no Sebrae, como o Empretec, em que você vai trabalhar as características do empreendedor. Vi o que tinha de fraquezas e estou trabalhando nelas até hoje.”

Depois de muito esforço, muito tempo de dedicação, muitos contatos queimados, ela conta que um dos desafios que ainda supera é conciliar a logística da empresa (que voltou a ser realizada pela Itté) e das três meninas. Porém, Mariane conta que é possível sim dar conta de tudo, pois além de contar com uma equipe no trabalho, ela agora tem a compreensão das meninas. “Antes, meu marido ajudou bastante. Ele ficava com elas e hoje ele também trabalha na empresa. Este apoio foi essencial”, continua.

Dificuldades que Mariane não consegue superar (assim como os demais importadores e exportadores) são as a infraestrutura brasileira e a carga tributária. “Tem imposto em cima de imposto. Temos um mercado informal muito grande [ela se refere às sacoleiras], pessoas que não fazem conta e prejudicam o mercado. Essas pessoas só não quebram a própria empresa porque elas não abrem a empresa. Também enfrentamos pessoas que nos pedem dinheiro para agilizar a liberação de mercadorias no porto. Quando isso acontece, fingi que não entendi e entrei na fila de espera. E, quando o dólar fica muito caro, encare o produto”, adverte.

Diante de todos os contratempos que influenciam o seu negócio, como a instabilidade econômica do Brasil, Mariane sonha em construir um legado. “Meu sonho é deixar um País melhor do que eu recebi. Um País decente”, conclui.

LEAVE A RESPONSE

Jornalista especialista em contar histórias de superação. Feminista, sonha em criar um mundo mais igualitário e justo para as mulheres por meio da informação e do empoderamento econômico.