Voa, Maria – Empreendedorismo Feminino

O negócio de Egnalda Côrtes? Promover talentos negros no YouTube

Home  >>  Estrelas  >>  O negócio de Egnalda Côrtes? Promover talentos negros no YouTube

O negócio de Egnalda Côrtes? Promover talentos negros no YouTube

On Novembro 20, 2017, Posted by , In Estrelas, With No Comments

“Antes de ser patrão, você tem de aprender a ser empregada.” Este foi o conselho que Egnalda Côrtes recebeu do pai quando, aos 14 anos, pediu para trabalhar no negócio familiar. Assim, após a recusa, a hoje empreendedora paulistana fez carreira no setor de contact center, em que começou a trabalhar aos 20 e no qual se tornou executiva.

Porém, filha de um empreendedor sagaz, como ela se refere ao patriarca, Egnalda conta que nunca se sentiu funcionária de uma empresa. “Eu sempre achava que era a dona”, lembra ela, que em sua carreira executiva soma 22 anos atuando em cargos de liderança.

Consultoria

Apesar da influência familiar, a mudança do mercado corporativo para o empreendedorismo só aconteceu como consequência do acidente do filho. “Vou ser muito franca. Se não fosse o acidente, eu não teria mudado de carreira. Não foi uma decisão racional. Fui levada a reeditar a minha vida profissional. Antes disso eu nem sabia que eu era uma empreendedora até que fui transformada. Saí das empresas e comecei a prestar serviços para elas, como consultoria de treinamento para cargos de liderança.”, pontua.

Mas o seu atual negócio, a Côrtes Assessoria e Agenciamento, nasceu de forma involuntária, quando o filho decidiu entrar no universo dos influenciadores digitais. “Comecei a estudar este mercado, entender que talvez estivesse muito restrito se não fosse bem construído. Meu filho não é um youtuber como os outros. É um menino negro se metendo em algo muito sério. Sabia que se fosse desconstruído isso poderia se tornar um produto”, conta a mãe de PH Côrtes, que tem um canal sobre heróis negros.

A empreitada deu tão certo que Egnalda passou a ser procurada para dar dicas a outras meninas sobre como produzir conteúdo e negociar patrocínio. Ela então virou consultora de carreira de youtubers e fundou a primeira agência de influenciadores negros da América Latina. “No final de 2016, saiu uma lista com as 30 pessoas que estão por trás do mundo e saiu meu nome. Achei aquilo muito surpreendente, porque meu trabalho ainda não era formal, mas eu fazia com muita paixão. A visibilidade me abriu portas”, conta Egnalda, referindo-se ao Youpix Builders 2016, as 30 pessoas mais influentes do digital em 2016.

Mundo digital

Egnalda abriu a assessoria em janeiro deste ano e já consegue rentabilizar mensalmente o que ela recebia como executiva. Mas no início do negócio, ela também teve dúvidas. “Tive de abrir mão daquilo que traz conforto para todos. Houve um pouco de dúvida e de questionamento da família toda. E no segundo momento tive de entender este novo mercado numa linguagem mais contemporânea. Como ia entrar neste mercado, um mercado jovem, e fazer parte dele sem sofrer rechaça?”, lembra.

Para quem quer criar um canal de sucesso, Egnalda recomenda autenticidade. “O criador não pode se fechar no mundo dele. Ele tem de inspirar o mercado ele. Estourar a bolha. Não assistir apenas canais que tenham afinidade de assunto com o dele. Ele tem que estudar YouTube, algoritmo, relatórios, como a audiência dele se comporta. A diferença para mim é o foco”, recomenda.

Hoje a empreendedora sonha em criar uma sociedade mais justa e igual. ‘Se meus agenciados não ganhassem dinheiro, eles iam parar, porque pagam conta. Meu sonho é atingir de verdade e equidade social no Brasil, pensando nos meus netos e bisnetos. Quero mexer com a estrutura social do País e o ativismo digital é uma delas”, conclui.

Deixe uma resposta

Ir para a barra de ferramentas