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Os paradigmas sociais e a autoestima

Antes de escrever um texto ou gravar um vídeo, tenho o hábito de sentar por alguns minutos e respirar fundo, questionando meu coração sobre o que preciso falar. Em todas as vezes, sem exceção, percebo que algo em mim entra em processo de cura.

Meu ponto de vista é que escrever ou falar sobre o que estou sentindo me ajuda a ter mais consciência. Hoje, ao escrever esse artigo, tive mais consciência de um ponto muito importante e ao mesmo tempo angustiante em minha vida: os paradigmas sociais e a autoestima.

Já abordei algumas vezes a importância de fazer as coisas com o coração. A cada dia que passa, fica mais e mais forte para mim esse preceito: agir por amor e não medo. O seu coração conhece o caminho do amor.

Somos envolvidos por diversas crenças sociais, tais como “mulher realizada tem filhos”, “amigo que é amigo está sempre junto”, “é seu tio, você precisa visitá-lo”, “é seu irmão, você tem que amá-lo”… e por aí vai.

Você já ouviu alguma dessas frases? Já falou alguma delas, ou mesmo conhece outras?

Quando não temos consciência do que queremos, para onde vamos e com quem gostaríamos de estar, nos perdemos no inconsciente coletivo.

Aqui cabe uma rápida explicação: segundo Jung, “o inconsciente coletivo não se desenvolve individualmente, ele é herdado. É um conjunto de sentimentos, pensamentos e lembranças compartilhadas por toda a humanidade. ”

Estar perdido nesse emaranhado universal te faz mais um escravo do ego e do status imposto pela sociedade.

Agora, coloque a mão na consciência por alguns segundos, só para lembrar de quantas vezes você se flagelou, se denegriu, se machucou, só porque não estava “adequada” ao perfil social? “Adequada” está entre aspas para provocar: você já pensou no que seria “estar adequada” para a sociedade? O que é ser adequada para sua família, trabalho ou relacionamento?

Eu já me perguntei várias vezes o que é ser adequada, chegando a várias conclusões, curiosamente baseadas ainda no que a sociedade espera de mim e não o que eu realmente quero para minha vida. É complicado compreender o que você realmente quer de sua vida se não parar nenhum segundo para olhar para dentro. Deixe-me contar um segredinho, olhar para dentro é gratuito, livre e ninguém vai ouvir ou saber… é somente você com você mesma.

Fui criada por uma mãe que, de seu jeito, nunca me “obrigou” a participar de nenhum evento social ou familiar sem que eu tivesse vontade. Ela não fazia muita questão de fazer o tal do “social”. Eu e meus irmãos que de certa forma nos sentíamos “obrigados” (inconsciente coletivo) a participar de tais eventos.

Antigamente, quando eu ainda não tinha consciência, achava a atitude da minha mãe ruim, anti-social e vazia. Acreditada que precisava mesmo estar em meio a família e aos amigos sempre, que não era correto me excluir do todo, que as pessoas não iriam gostar de mim e que não lembrariam de mim em nenhum momento, nem mesmo do meu aniversário.

Não existia esse olhar para dentro, que me levaria a entender, tempos depois, sobre o que eu realmente desejava fazer. A autoestima era tão baixa que não agir conforme o esperado pelos outros resultaria em exclusão e rejeição.

Sim, o medo de ser rejeitada era tão grande que compareci em vários momentos e eventos só para que ninguém falasse mal de mim.

Pausa para uma pergunta: é saudável relacionar-se com as pessoas dessa forma?

Durante muitos anos de minha vida, boa parte de meus relacionamentos sócio/familiares eram baseados em medo, angústia, obrigação e desafeto, reforçando ainda mais as minhas crenças e paradigmas sociais: o que realmente importava era o que os outros pensavam e acreditavam sobre a vida, não o que eu realmente desejava (levando em consideração que eu nem sabia o que realmente desejava).

Já me relacionei com parentes, amigos e colegas de trabalho tóxicos, deixando essas pessoas invadirem minha vida, simplesmente por não saber colocar limites saudáveis nessas pessoas. Aprendi (e ainda estou em aprendizado) a delimitar espaço com pessoas que não me fazem bem (especialmente se são da família ou trabalho), buscando conviver somente com o necessário, sem a obrigatoriedade de ser amigo ou qualquer coisa do tipo.

Decidi que me relacionaria com pessoas em que eu realmente tivesse um grau de afinidade ecológico.

Optei em me relacionar com as pessoas somente por amor, e não mais com medo de ser rejeitada. E quando eu digo por amor, digo que vou procurar alguém, estar com alguém quando realmente sentir que devo fazer isso. Quando eu realmente sentir no coração, e de forma natural, estarei presente na vida de qualquer pessoa.

Não estar mais alinhada aos meus antigos paradigmas sociais é hoje uma opção muito forte que fiz em minha vida.

Com o tempo percebi que muitas pessoas se afastaram de mim, e perguntas como: “E aí, sumida?”, não me incomodam mais.

Compreendi também que a vida é uma via de mão dupla, e quando realmente existe afeto nas relações, não há cobrança, mas empatia. Você passa a compreender mais a vida do outro, e o outro a sua. Sendo assim, se eu realmente quero estar com você, vou estar, e se eu não estiver todos os finais de semana, tudo bem, sei qual meu lugar na sua vida, e me sinto seguro por isso.

Hoje eu ouvi uma frase que se encaixa perfeitamente nesse contexto: “A distância não é desafeto, desafeto é insistir no convívio com baixa afinidade”. – Arly Cravo.

Se minha afinidade com você é baixa, por que vou insistir nessa relação, me desgastar e criar mais e mais motivos para me afastar de você?

Compreender tudo isso tem me ajudado a focar mais no que sinto, e tomar minhas decisões com base nesses sentimentos. Quando tomo minhas decisões por amor e vontade, sinto-me inteira e plena. Não me cobro e não cobro os outros a fazerem o mesmo. Dessa forma meu posicionamento em meio a sociedade é baseado no amor próprio, na autoestima elevada e na completude.

Desejo que você possa tomar as mesmas decisões, compreender que regras de convívio social devem, acima de tudo, estar alinhadas ao que você deseja realmente fazer e não aos paradigmas impostos pela sociedade.

Convido você a fazer esse teste, e a escrever para mim como foi sua experiência.

Agradeço imensamente por sua existência.

Com amor, graça e leveza,

Queli

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Queli Rodrigues
Terapeuta, Escritora e Empreendedora. Formada em Administração de Empresas, Pós Graduada em Consultoria Empresarial. Certificada pela Sociedade Brasileira de Coaching em Personal Professional Coaching, e especializada em Positive Psychology Coaching, também pela Sociedade Brasileira. Master Practittioner em Programação Neurolinguistica. Terapeuta em ThetaHealing, e formada em Constelações Familiares.