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Mirtis Fernandes, do Esperança Gastronomia: sem zona de conforto

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Mirtis Fernandes, do Esperança Gastronomia: sem zona de conforto

On Julho 28, 2016, Posted by , In Estrelas, With No Comments

Cabelos de anjo, jeitão de mãe, mas não se engane: Mirtis Fernandes é uma mulher de personalidade forte e que vai te “acolher com chacoalhões”, como ela mesma diz. Afinal, ela não vai dizer que sua roupa está bonita apenas para te agradar, mas será sincera, sempre desejando o melhor para quem a cerca. E tal característica não deve ser vista de forma negativa, pelo contrário. Com muita determinação, ela conseguiu transformar um hobby em um negócio inspirador: o Esperança Gastronomia Nordestina, em que a ideia é fazer comida de mãe para filho.

A veia empreendedora sempre esteve presente na vida de Mirtis, já que o pai era comerciante. Porém, ela não queria seguir os passos da família, mas construir a própria história.  “Queria ter a minha própria loja, não na do meu pai. Apesar de ser machista, ele ensinou às filhas que deveríamos ter independência e estudar. E, para isso, eu teria de ser melhor do que a média para ser independente. Então fui trabalhar com um vizinho”, lembra.

Depois de passar 15 anos trabalhando em outra companhia e passar por outros empregos, Mirtis decidiu optar por outros caminhos por conta da maternidade. “Quando tive a minha filha, pensei que não dava mais. Queria trabalhar valores diferentes, vi que era possível trabalhar numa cadeia sustentável”.

Mirtis Fernandes Esperança Gastronomia 2

Sem zona de conforto

A oportunidade de empreender surgiu quando, trabalhando em uma loja de roupas, conheceu o atual marido, que era um dos fornecedores. “Fui trabalhar com ele. E se eu não der conta? Não tinha para quem pedir arrego, tinha casa para sustentar. Mas quando casei com ele e tive minha segunda filha, decidi que só seria responsável pelos meus próprios erros”, continua.

Assim, Mirtis passou a gerenciar toda a empresa a VST, empresa de tecnologia voltada para o setor têxtil, desde a contabilidade até consultorias. “Dominei a VST e pra mim perdeu a graça. ‘Vou passar a minha vida só fazendo isso?’, pensei.  Aí fui ao Sebrae, a fim fazer custos para pequenas empresas”, afirma a empresária, que se inscreveu no Empretec.

Esperança

Além de aprender muito com sobre empreendedorismo, Mirtis tomou coragem para investir em um novo negócio: produção de comida saudável, feita com carinho. “Meu hobby é cozinhar, gosto de fazer comida para a galera. Então no Esperança vendemos o alimento e não a comida. O veículo é alimento”, resume.

Mas mais do que pensar apenas no consumidor, a empreendedora paulistana se compromete ainda com toda a cadeia produtiva que a envolve. “Não tenho de levar só riqueza para quem come, mas também para quem produz. Tudo a gente tem uma forma de negociar diferente. É uma cadeia sustentável. Eu não negocio preço com o fornecedor de mandioca a ponto de ele perder lucro”, continua.

Além de eventos pontuais, a Esperança Gastronomia agora oferece também comida congelada. Mistis, no entanto, se preocupa com os detalhes e quer parcerias para ir além das expectativas do consumidor, como distribuir sementes, olhar nos olhos do cliente e também incentivá-los a escrever mensagens positivas uns para os outros.

E qual foi a maior dificuldade da empreendedora para transformar o Esperança em realidade? Investimento. “Neste país, para crescer, você tem que ser grande e ter dinheiro para investir em tudo. Outra deficiência é o acesso a orientações técnicas sobre um determinado produto. Vejo pessoas geniais que estão quebrando porque não têm acesso a estas informações”, conclui.

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