Cris Kerr e o desafio de criar um mercado de trabalho mais igualitário

Você, mulher empreendedora, provavelmente já conhece ou ouviu falar no Fórum Mulheres em Destaque, realizado anualmente em novembro e que ganha destaque na mídia por reunir as principais empresárias e executivas do País para discutir cases e dar visibilidade às mulheres que ocupam cargos de alta liderança. Porém, o evento tem um propósito ainda maior. Cris Kerr, a idealizadora, sonha em construir um legado e fazer com que o mundo corporativo seja mais justo e igualitário.

Nascida em Pereira Barreto, Cris não imaginava que a vida tomaria o rumo que tomou. Inicialmente ela pensava em ser bióloga, mas depois de um teste vocacional, percebeu sua habilidade em comunicação. Formada em publicidade, sempre trabalhou em setores extremamente masculinos, como arquitetura, telecomunicações e metroferroviário. “Sempre organizei eventos. E pensava: ‘Poxa, preciso fazer alguma coisa para mudar o mundo’”, comenta.

Para criar a própria empresa de eventos, a CKZ, Cris investiu em um MBA de Gestão Estratégica de Negócios na FGV. “Pesquisas mostram que na base da pirâmide do mercado de trabalho há muitas mulheres. Há muitas trabalhadoras também em cargos de média gestão. Mas na liderança, apenas 7,8%. Quis promover um fórum com pesquisas para mostrar às empresas o quanto elas iam se beneficiar por investir na liderança feminina. Foi o primeiro evento que falava de mulheres líderes, ainda em 2010, quando nada era falado sobre o assunto.”

Ambiente de trabalho mais acolhedor

Diversas pesquisas comprovam os benefícios de investir em liderança feminina dentro das organizações. Ser multitarefas e acolhedora são apenas duas das características intrínsecas que fazem com que o clima corporativo seja mais produtivo. No entanto, a maternidade ainda é um obstáculo para mulheres que sonham em progredir na carreira de grandes corporações. “As empresas fingem que não, mas esperam alguns meses pós licença-maternidade e mandam a executiva embora. Enquanto não aderirmos à licença parental, a exemplo da Islândia, em que a mulher tem três meses de afastamento, o homem outros três meses e os demais 90 dias são divididos como eles quiserem, não teremos igualdade em cargos de liderança e média gestão”, avalia.

Além da questão feminina, Cris está preocupada ainda com a inclusão de diferentes perfis em corporações e, por isso, criou o Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão. “Nossa proposta é falar sobre pessoas que não têm visibilidade dentro da empresa, como as gerações. A entrada de jovens no mercado não é o problema, e sim a reintegração do idoso. Aos 60 anos eles são dispensados. Mas por que não usar a inteligência deste público?”, questiona.

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Começo difícil

Apesar de ter uma grande ideia e com um propósito bem definido, alavancar o Fórum Mulheres em Destaque não foi simples. Cris conta que pensou em desistir inúmeras vezes, porque além de não conseguir “fazer sua voz ecoar”, não existiam exemplos de mulheres em cargos de liderança para servir como referência. Por isso, nas duas primeiras edições, ela colocou dinheiro do próprio bolso para torná-lo realidade. “Pegava dinheiro de uma área da minha empresa e colocava em outra, porque acreditava que o evento seria um gancho para que as mulheres começassem a crescer”, lembra.

Além dos fóruns e da agência de eventos – a CKZ atende a Nickelodeon, por exemplo-, Cris também investiu em consultoria empresarial para criar estrutura corporativa e, assim, fazer com que empresas invistam mais na liderança feminina e também em diversidade. “O primeiro trabalho que fizemos foi com o BB Mapfre, para criar pilares de gênero. As empresas querem investir em diversidade, mas não sabe como”, observa.

E para as mulheres que sonham em ter o próprio negócio, Cris ensina que a aspirante deve ativar duas redes: a de apoio e networking. “Além de ter com quem deixar os filhos enquanto trabalha, é o momento de tomar café e almoçar com muita gente para conversar e falar do seu negócio.”

A 6ª edição do Fórum Mulheres em Destaque será realizada nos dias 22 e 23 de novembro, na Fecomercio, em São Paulo. Para mais informações, clique aqui.

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About Camila Silva

Jornalista especialista em contar histórias de superação. Feminista, sonha em criar um mundo mais igualitário e justo para as mulheres por meio da informação. Além do Voa, Maria, está à frente da Maria Comunica, agência de comunicação pautada por resultados e relacionamento.